23 de jul de 2017

CHEGA


Vou começar dizendo uma coisa. Você não vai gostar de ouvir, mas é a verdade: o que você permitir, vai continuar. E digo mais: vai seguir piorando.

Um narcisista que tive o (des)prazer de conhecer gostava muito de citar (e aplicar, é claro) a "politica do beliscão" para determinar o quanto podia tirar dos outros até precisar dar alguma coisa em troca.

A "política do beliscão" funciona assim: você belisca e vai apertando até a pessoa gritar. Aí você solta, mas só um pouquinho. Se a pessoa não meter a mão na sua cara e o mandar às favas, você aperta de novo desta vez com mais força que antes. E segue repetindo e apertando cada vez mais forte até não ter mais nada que espremer do infeliz.

Psicopatas, sociopatas e narcisistas - e governos, empresas ou instituições também se comportam como tais - tratam os outros exatamente desta maneira.

O que está acontecendo neste país é exatamente isso.

Nossos "representantes" não dão a mínima para nada nem ninguém além dos seus próprios interesses. Não se importam nem com a crescente legião de mendigos morrendo de fome e frio pelas ruas deste país. Pior: fazem piadinhas cruéis, comparando-os a zumbis.

E se você acha que eles se importam com a classe média, pode ir tirando o cavalinho da chuva, porque se eles têm nojo de pobre, por nós o que sentem é desprezo e querem nos esmagar como a uma barata.

É que a gente da classe média tem essa mania de não mendigar, de não implorar pelos favores dessa gente. Não. A gente tem amor-próprio, tem orgulho de ser quem é e estar onde chegou; a gente se orgulha porque ralou para chegar aonde está, e a gente quer que os outros cheguem também. A gente quer que os pobres comam todos os dias como nós, que tenham suas casas, que seus filhos vão à escola, que sonhem e façam seus sonhos realidade. A gente é gente e gosta de gente, gosta de bicho, gosta de natureza. A gente sabe que pra ser feliz é preciso que os outros também estejam felizes, saudáveis, alimentados e agasalhados; então a gente cuida e é cuidado, porque sabe que gente precisa de gente.

Sim, somos muito diferentes uns dos outros, porque a nossa classe começa no primeiro título de propriedade (seja um barraco, um JK ou uma cobertura) e vai até a casa de praia ou sítio, o terceiro ou quarto carro na garagem mais o turismo pelo mundo a fora.

A gente começa na humilde costureira que passa os dias debruçada na sua máquina e vai até a dona de butique que amanhece em Porto Alegre, almoça em São Paulo e janta no Ceará comprando para a sua loja. A gente começa no balconista da livraria e vai até o professor de Literatura com pós-doutorado que vive palestrando no exterior.

Somos muitos, somos diferentes e somos a maioria. Somos nós que movimentamos essa engenhoca toda e tudo que precisamos é dizer CHEGA, para que esse mundinho dos psicopatas deixe de existir.

Somos quem mais investe tempo, criatividade e recursos em proteger o ambiente, melhorar a educação, promover a cultura, a saúde, o livre comércio, as novas tecnologias... e também somos nós que nos organizamos para minimizar os impactos horrorosos das ações dos nossos próprios governos sobre os menos privilegiados.

São os nossos impostos, não os dos milionários e muito menos os das mega-empresas que sustentam o governo - até porque essas mega-empresas além de receberem bilhões dos impostos que nós pagamos em "incentivos" e "financiamentos", ainda se dão ao desplante de sonegar.

As grandes empresas deste país devem mais de um trilhão de Reais em impostos, e a gente se apavora só de cair na malha-fina do imposto de renda...!

Somos nós que quando precisamos alguma coisa, batalhamos e vamos atrás porque nada vem de mão beijada. A gente sabe, a gente aprendeu desde criança o valor do trabalho, do empenho, da honestidade, da dedicação e, acima de tudo, da cooperação.

Mas os psicopatas querem que esqueçamos da cooperação. Eles querem nos ver brigando por ideologia, gênero, religião, raça, futebol, celebridade, marca, carro e todo o tipo de cenoura que penduram à frente dos nossos narizes para nos distrair. E divididos assim, deixamos de ver que o inimigo é um só e de todos nós.

Porque ideologia, gênero, religião, raça, futebol, celebridade, marca, carro... quanto mais e mais diferentes, melhor: o motor da evolução é a diversidade! Diversidade é abundância, é riqueza, é beleza: a abelha não perde um segundo de vida querendo forçar o beija-flor a fazer mel. Ainda assim, os dois visitam as mesmas flores e se alternam para extrair o néctar ao invés de competir.

Por que então nos deixamos influenciar por todas essas "polêmicas"? Já parou para pensar que elas são criadas e insufladas na mídia e pela mídia justamente para acirrar os ânimos, para nos dividir? Quem tem a ganhar com a gente se xingando de coxinha, de mortadela, de bolsomito?

Eles. Nossa divisão só serve a eles, porque nós precisamos uns dos outros, mas eles só precisam que sigamos distraídos culpando uns aos outros.

Então, CHEGA de bateção de boca também: a gente está aqui para viver, amar, criar e ser feliz, não pra morrer à míngua coberto de carrapato.

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